O Defeito Dominante ou O Parasita da Alma – Conhecimento e Combate.

O DEFEITO DOMINANTE  OU O PARASITA DA ALMA

A vida espiritual não é empreitada fácil, pelo contrário, nessa peregrinação rumo a Jerusalém Celeste caminharemos por estradas sinuosas e por longos desertos; enfrentaremos animais selvagens e ferozes, lutaremos contra assaltantes de toda espécie, contra Demônios e suas armadilhas, por fim, teremos que enfrentar a nós mesmos. Enfrentar o “EU MESMO”, para muitos, se não para todos, é o maior dos obstáculos. Nesse sentido, mais duro, beirando o impossível, será para aqueles que não conhecem a própria fragilidade, não conhecem o seu “ponto fraco”, o ponto que frequentemente será atacado pelos mais diversos inimigos. Falo do DEFEITO DOMINANTE. O grande padre Garrigou-Lagrange define o defeito dominante da seguinte forma:  

“Ele (O defeito dominante) é, em nós, aquele que tende a prevalecer sobre os outros e, assim, sobre nossa maneira de sentir, de julgar, de simpatizar, de querer e de agir. É um defeito que, em cada um de nós, tem uma relação íntima com o nosso temperamento individual. (…)  é o nosso inimigo doméstico, no interior de nós mesmos, pois ele pode, caso se desenvolva, chegar a arruinar por completo a obra da graça ou a vida interior. Às vezes, ele é como a fissura de um muro que parece sólido, mas não o é, como uma trinca, às vezes imperceptível, mas profunda, na bela fachada de um edifício, que um forte abalo pode demolir.” (Lagrange, As Três Idades da Vida Interior, 383-384, Ed. Cultor de Livros, 2018, SP). 

É imperativo, portanto, para aqueles que buscam a santidade descobrir qual é esse “ponto fraco”, descobrir onde está essa “fissura” que pode arruinar todo o edifício de nossa vida espiritual, que pode nos acrescentar necessidade de maior purificação no purgatório, ou -Deus nos livre- a condenação eterna. Para aqueles que ainda não se deram conta da importância de descobrir qual é a nossa “paixão/defeito dominante” talvez as palavras do Pe. Faber possam dar um incentivo extra:  

“[A paixão dominante] causa, pelo menos dois terços de nossos pecados. (…) Descobrir a paixão dominante é um dos negócios mais importantes da vida, negócio tão difícil quão importante, pelo segredo que invariavelmente envolve essa astuciosa paixão.” (Faber, Progresso na Vida Espiritual, 84-85, Ed. Cultor de Livros, 2016, SP) 

Não é coisa pouca, então, descobrir qual nosso defeito dominante, é o negócio mais importante da vida! Tracemos, sem demora, um plano de combate: devemos primeiro conhece-lo e depois buscar meios de combate-lo. Existem alguns bons caminhos para encontrar esse “parasita” de nossa alma, elencarei 7 meios, mas o pressuposto evidente é a firma vontade de descobri-lo. Digo isso, pois se a alma realmente estiver empenhada, com certeza receberá os auxílios de Nosso Senhor (Todos esses meios são baseados nos escritos do Padre Lagrange e Padre Faber).

O Padre Lagrange diz que para os iniciantes sinceros é bem fácil descobrir essa moléstia, mas à medida que vamos de certa forma progredindo na vida espiritual ele ficará menos aparente, se ocultará e assumirá aparências de uma virtude. Por exemplo, a covardia pode vestir a máscara da humildade, o orgulho, a máscara da magnanimidade, etc. Naqueles que o defeito dominante já adquiriu forma e se “fantasiou” de virtude é comum, quando o nosso diretor ou alguém próximo nos acusa exatamente esse defeito, surgir “desculpas” e escusas do tipo: “Eu posso ter muitas falhas e erros, mas essa não”.

O primeiro meio para descobri-lo é pedir luz a Nosso Senhor, peça a Deus com insistência a graça de descobrir esse mal. Depois é preciso examinar-se: 

  1. Quando acordo ou meus pensamentos se esvaem, frequentemente para onde eles vão? Minhas preocupações e desejos tem, em geral, qual direcionamento? 
  2. Geralmente, qual é a fonte geral da minha tristeza e alegria? O padre Faber explica: “Esse segundo método consiste em notar uma desusada alegria ou tristeza que aparece na alma, sem razão evidente, e em descobrir de onde emana essa emoção. Mesmo se existir causa aparente, a alegria ou tristeza pode ser tão desproporcionada que nos leve a suspeitar que nela haja uma razão adicional e oculta”. ((Faber, Progresso na Vida Espiritual, 85-86, Ed. Cultor de Livros, 2016, SP); 
  3. Geralmente em nossas confissões se repetem sempre 3 ou 4 pecados, sejam veniais ou mortais, convém aqui buscar com diligencia a fonte desses pecados, a raiz comum que gera todos eles; 
  4. É muito importante a opinião de nosso diretor espiritual que já nos acompanha e conhece nossa alma há algum tempo. Não somos bons juízes de nós mesmos;  
  5. Podemos conhecer também nosso defeito dominante pelas tentações que frequentemente nos assolam, buscar a raiz dessas tentações é ponto importante; 
  6. Devemos ficar atentos também para as inspirações que o Espirito Santo nos envia, geralmente, pedindo para mortificar exatamente essa moléstia; 
  7. Devemos criar o hábito de fazer o exame de consciência diário, fazendo isso iremos aos poucos descobrindo onde devemos nos purificar e melhorar, por consequência, iremos adquirir um maior conhecimento de nós mesmos;   

O Padre Garrigou-Lagrange recomenda para o combate ao defeito dominante três meios: a oração, o exame e uma sancão. Eu acrescentaria, ainda mais, a direção espiritual. Seguir os conselhos de um diretor experiente e piedoso é meio fortíssimo de combate. Na oração, devemos pedir com confiança para que Deus arranque fora essa grande moléstia. De tal oração, explica Lagrange, segue o exame: “Conviria, sobretudo aos iniciantes escrever cada semana quantas vezes cederam a esse defeito dominante, que quer reinar neles como um tirano”. (Lagrange, As Três Idades da Vida Interior, 389, Ed. Cultor de Livros, 2018, SP). Por fim, todas as vezes que consentir com esse defeito imponha a si mesmo uma penitência, por menor que seja.  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • Garrigou-Lagrange, As Três Idades da Vida Interior, Ed. Cultor de Livros, 2018 – SP
  • Frederick William Faber, Progresso Na Vida Espiritual, Ed. Cultor de Livros, 2016- SP

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